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“Moro na Estação USP leste, o que significa que demoro cerca de 1,5 hora para chegar ao Butantã, na volta faço sozinha o trajeto entre a estação e minha casa, como já é mais de meia noite, há poucas pessoas na rua, fazendo com que os motoristas da avenida se sintam confortáveis para buzinar e fazer cantadas. Já que estamos espalhados pelo Butantã, não posso combinar de encontrar meus colegas de república para voltar e receosa, ontem optei por fazer o trajeto de ônibus, aumentando meu percurso em 20 min. “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não deveria … A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem outra vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha pra fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão” (Marina Colasanti). Não vamos nos acostumar com a falta de infraestrutura, de bandejão, de salas adequadas, de laboratório e principalmente com o descaso da reitoria!”

Isadora Aguirra – Estudante de GA

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“Hoje aconteceu o fim da picada na medicina, durante a 1ª aula alguem trancou os banheiros do corredor da nossa sala! estamos sendo boicotados DESCARADAMENTE!”

Rafael Duarte – Estudante de MKT

“Não temos laboratório, para as aulas práticas, e biblioteca. Não temos datashow. Hoje nem tinha giz na sala de aula. Fui ao banheiro e vi uma sala superlotada com 3 turmas numa única sala e com um único professor. Ontem vi alunos sentados no chão porque não tinha cadeira suficiente para todos. Não conseguirei comer lá por menos de 15 reais por dia, colocando no papel, por mês gastarei só com almoço 300 reais, fora os outros gastos como transporte, lanche (porque fico o dia inteiro na faculdade), xerox, etc. Conversei com as professoras e percebi que na matéria com menos problemas perderemos cerca de 50% do que tinha sido planejado e que seria ideal para uma ótima formação. Me deparei com o repúdio dos alunos da UNICID com a nossa chegada ao espaço deles. Já escutei “piadinhas” e não sou obrigada a passar por isso. Os funcionários estão numa salinha minúscula para atender as necessidades acadêmicas. Os professores e alunos que vão de carro estão tendo que pagar estacionamento, que custa R$20 fora as horas adicionais. Não vejo segurança nenhuma no local e no trajeto que faço da estação Carrão até a UNICID, pois há mendigos, pedintes e tem ruas sem movimentação. Vejo, também, a dificuldade dos alunos, do noturno, que não conseguem chegar em casa já que moram muito longe do quadrilátero da saúde, em Pinheiros, e da USP Butantã. Fora, que também não têm laboratório disponível para eles e os horários planejados das matérias não batem com a disponibilidade da grade que tinha mantes.”

Stella Alves Souza – Estudante de OBS

“Lendo os posts dos meus colegas, percebo que atacam diretamente a estrutura oferecida pela Unicid, mas não acho que isso seja o foco principal. Aliás, a forma com que se referem à instituição, a partir da infraestrutra que ela oferece, acaba sendo até mesmo desrespeitoso com aqueles que optaram por fazer sua trajetória acadêmica nesta universidade particular, e que pagam pelo referido espaço. Penso que o foco principal é o descaso da USP em relação a todos os Eachianos, seja qual for o campus que estejam alocados. Estou cursando as disciplinas do meu curso na Poli-USP, com o indicativo de que iremos, nas próximas semanas, para o Instituto de Relações Internacionais (IRI-USP). Agradeço a estrutura que as unidades se dispõem a nos emprestar, mas, somente pelo fato de não saber onde iremos, de fato, nos estabelecer, e que a USP simplesmente esqueceu que existem atividades de pesquisa, cultura e extensão que eram desenvolvidas na EACH, dos programas de permanência estudantil e sua necessidade de adaptação ao novo contexto, sem contar a falta de diálogo aqueles que realmente estão sendo afetados, já denota claramente a forma com que nos tratam, ou seja, como se a EACH, bem como os Eachianos, fosse a “filha pobre”, a “USP do B”, pois duvido muito que isso tudo pudesse acontecer com unidades renomadas, como a FEA, Faculdade de Direito ou a Poli, se estivessem na mesma situação.”

Renato Domingos Junior – Estudante de GPP

“Moro em Guarulhos, levei 1h45m para chegar até a estação Tatuapé de onde peguei o metrô e desci na estação Carrão. (Ou teria que caminhar 2 quilômetros até a UNICID). Chegando na sala, constatei que nem mesmo o professor sabia em quais condições ele aplicaria as aulas, pois somente ao chegar lá é que ele viu que a sala não tinha datashow e por isso ele teria que passar a lição na lousa. Outro fato que vale a pena mencionar é que a professora que estava na sala, fez uma pergunta referente se os alunos preferiam estudar lá ou entrar em greve. A maioria levantou as mãozinhas em apoio a continuar as aulas lá e eu não aguentei, comecei a rir ali mesmo. Pra completar, dois seguranças deram uma bronca na minha mãe (que também estuda lá) por ela estar fumando em um local onde aparentemente não deveria (embora se tratasse de uma área externa) dizendo que “Ali é uma universidade PAGA”e que a bagunça começou “depois que o povo da USP” foi para lá. Sobre acesso a biblioteca nada foi falado, xerox igualmente, internet nada foi mencionado. Enfim, foi um dia cômico.”

Celso Fraga – Estudante de LCN