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“Me senti muito feliz quando fui chamada para estudar na EACH. Consciente da situação, me matriculei e tenho acompanhado as aulas. Aquele ânimo de ter passado na USP, foi se esvaindo com o decorrer desses primeiros meses. Sinto que meu primeiro semestre foi muito prejudicado. Apesar de estar na FMUSP (que pelo menos tem uma estrutura física excelente) a distância também é grande para quem mora na ZL. Moro ao lado do Campus Leste. Não pretendia gastar, como tenho gastado para me deslocar até as Clínicas. A falta de biblioteca para minha área prejudica as matérias. Não tenho tempo para ir buscar livros em outras bibliotecas da USP regularmente. O bandeijão da FSP após quase um mês de aula, foi aberto para os estudantes da EACH. Mas a tesouraria para carregar créditos fica aberta em horários totalmente inviáveis para quem trabalha durante o dia, pois visam grande parte dos alunos do quadrilátero que estudam em período integral. Estamos como peixes fora d’água. Num ambiente que NADA tem a ver com a EACH ou com os cursos oferecidos. Para questionar algo à um professor, somente por email. Não há proximidade e aquela interação estudantil faz falta. Até hoje, vi meus veteranos 2 vezes. Penso em transferir para poder, de uma forma melhor, aproveitar a oportunidade que consegui ingressando na USP.”

Alana – Estudante de GPP

“Me sinto um lixo hoje estudando na USP. Estudando na melhor universidade do país, eu me sinto um lixo, me sinto tratado da pior maneira possível, sem voz, sem ação, impotente. Todo dia escuto essa voz me dizendo: – Abaixa a cabeça e estuda, termina seu semestre, pega seu diploma e vaza daqui. Não importa como. Eu resisto, todos os dias, mas anda cada vez mais difícil… Talvez a USP seja realmente a faculdade que melhor nos prepare para esse mundo… esse que nos exige um conformismo incondicional, uma resignação absoluta e nenhuma possibilidade de transformação. Que tristeza, ôoo tristeza, tristeza demais…”

Estudante – Estudante de EFS

“A EACH costumava ser, apesar dos seus defeitos, um lugar onde eu via muita alegria, onde a gente se apoiava pra dar cabo nos problemas. Agora quando eu encontro eachianos perdidos pelos prédios provisórios, eu só vejo apreensão e tristeza.”

Anon – Estudante de GA

“Fiz três anos de cursinho para conseguir passar na Fuvest, na esperança de um ensino digno. Mudei-me no início do curso para a zona leste, praticamente sem recursos. Após muitas dificuldades (muitas mesmo) consegui finalmente uma pequena quitinete, da qual caminhava até a EACH todos os dias. Agora estou, na prática, 3h do meu local de aulas, tenho que pegar metrô e ônibus em horário de pico (e o dinheiro para condução dupla todo dia?). Agora minha família mal acredita que meu esforço para passar valeu qualquer coisa de modo que sofro represálias de todos os lados, como se a culpa fosse minha e a formação fosse realmente algo impossível desde o começo. Valeu, direção.”

Paula Oliveira – Estudante de TM